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15 de nov de 2009

Ilusão



Quase 10 horas da manhã. O sono ainda faz parte do corpo, em que mãos e pés se mexem como uma maquinaria velha de uma fábrica, falida. As pálpebras abrem e deixam a claridade incômoda chegar à metade dos olhos. Ela franze a testa. Sua mente, só deseja fazer um movimento: olhar o lado esquerdo daquela cama. Mas, não conseguia. Fazia de conta, fingia que não queria entender. Ele não estava mais lá. Ela entrou na jogada já sabendo o que estava por vir, a cada segundo das suas vidas juntos, ele explicou as regras do jogo. Ela como sempre, fingia que não entendia. Agarrou aquele travesseiro ao seu lado, com tanta força, começou a rasgá-lo. Sussurrou:

- ele não estava ali também. - Seu pensamento voltava para o 15 de maio. Foram buscar algumas frutas, para o jantar que ele faria em homenagem a ela. À noite, que mudaria suas vidas. E ele insistiu:

- Mas você sabe, a qualquer momento eu irei embora! - Mesmo assim, ela aceitou. Ambas as propostas.

Percebeu que não há inocentes. Chorou quando lembrou isso. E a última noite, em que o calor daqueles braços a fez feliz. Permaneceu estática, com as pernas desnudas pelo lençol. Só os olhos se movimentavam. Observa o teto vermelho, pensa rapidamente em mudar aquela cor. Cansa de ficar parada, vê o relógio no criado-mudo. E ainda são, 10h30min da manhã.


4 comentários:

Larissa Araújo disse...

Adorei, Tai. Consegui vizualizar tudinho, me lembrou o filme "Brilho eterno de uma mente sem lembranças".

bjuw

Jana Cambuí disse...

Que literário,hein????

Adorei!

Hneto disse...

Relogios, calendários... às vezes são escravocratas.

Patty disse...

Taii, muito lindo! Parabéns! =)