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21 de jan de 2010

Tá na mesa pessoal!







Trann.. Década de 90, para aqueles que assistiam TV Colosso, vão se sentir em casa...trinnnn..trinnn ..Quase em casa ,a não ser pelo barulho da impressora que fez parte da minha barulhenta infância...trannn..trannn...Em meados da década de 90, não eram muitos os que possuíam um computador em casa. Vovó ainda tinha uma máquina de datilografar. Após meus pais fecharem o curso de informática, algumas máquinas foram lá pra casa e junto com elas o meu tormento. Pra começar, o problema ocupa metade da sala em que eu e meus irmãos brincávamos, por que agora:
- Se eu pegar alguém mexendo aqui vai ter hein! – A mamãe furiosa, com os impostos ainda pra pagar depois de ter fechado o curso. E a gente sem lugar pra brincar. O legal era cobrar dos amigos pra ver aquele trambolho na sua sala, dava pra levar. No início, a minha mãe só dava aulas pra duas pessoas, não incomodava tanto assim. Até, um aluno questionar a minha mãe se ela não queria digitar trabalhos. Ora, pede pra ela digitar na sua casa! - Aí as nossas manhãs de sono, estavam terminadas. As primeiras férias com aquele barulho, trinnn...trannnn...eram de matar. A mãe cada vez mais recebia trabalho, carta, ofício pra digitar e a TV Colosso ia pro espaço. E nada de pedir pra parar um pouquinho, era pior que tomar uma surra:
-E quem vai colocar empregada em casa? Quem vai comprar doce?Vai perder tudo hein! –E aquele barulho, do cartucho sobre o papel... trinnn...trannn... Pra lá de trinnn...trann, de chato! Pra piorar a situação meu pai chega em casa e diz:
- meu bem, agora temos 2 impressoras! Consegui a preço de banana. –Agora eu que tenho dois problemas, que banana!
Depois de uns anos tava tão anestesiada à impressora, que tava igual a quando a gente dorme com ventilador, não ligava mais pelo calor e sim pelo barulho no pé do ouvido. Falando em pé, quando uma ficou cotó, por que meu irmão mais novo inventou de futucar, aí que desgraçou de vez. Era o barulho de um vibracall batendo na mesa com aquele detalhe no papel....trinnn...trannn...Era um soluço interminável. A mãe um pilha com os impostos e eu uma pilha com a máquina que pagava os impostos.
Percebi que contar qualquer coisa que tenha acontecido na minha infância dentro de casa, sem aquele barulho era quase impossível. Por causa da modernidade em casa, os castigos, as brincadeiras, enfim, a vida acompanhava essas evoluções. Já contei das broncas que eu levava pelo MSN? E o meu pai que sabia o que a gente olhava pela internet? Bom, aí é outra história, outro texto.
Outro dia, fui fazer uma pesquisa sobre meus antigos tormentos, até música eletrônica com o barulho daquele cacareco fizeram. Não tem mais o que inventar. Acho que tenho até tic nervoso por causa daquele barulho irritante. Hoje, tenho uma multifuncional que só me dá problemas. Não se faz impressoras como antigamente, nem barulhos também!

http://www.bluebus.com.br/show/2/89440/quem_diria_e_o_barulho_da_impressora_virou_musica_veja_isso_aqui

28 de nov de 2009

Agora, amanheceu



Foge o que dizer. Simplesmente, não se sabe. A ausência de verbos, todo o período que agora lhe escapa à mente. Nem explicar consegue, pois não acha palavras. Que se encolheram entre os cantos da sala, sob a sombra do sofá, onde estavam sentados. E ficavam, ali, parados. O sol ainda não apontou da varanda e ele, sem saber o que exprimir. Olhou para cima, tentando achar naquele teto vermelho uma resposta:


- Morte, talvez?!- Mexe a sobrancelha direita e o canto da boca. Ele brinca para espairecer seus pensamentos. Foi um desejo involuntário, de associação somente. Chega mais para beira do sofá, tenta puxar um cigarro no bolso do jeans apertado. Quando ele liga o isqueiro faz menção de dizer algo, ela o interrompe:

- Não diga! – ela fala. Ao mesmo tempo, coloca a sua mão trêmula, na boca dele que se aquieta com o tocar da pele branca, fria. Ficaram a mercê do medo. Olharam-se outra vez. Ele larga o cigarro gira a cabeça com a mão, segurando firme em seus cabelos. Como se pudesse, assim, impedir ou mudar o que iria fazer. Ela descruza as pernas que estavam no sofá, se coloca de perfil para ele, tentando imaginar alguma réplica, assim que ele falasse. Olhando para o abajur que estava ligado. Ainda não clareou.

Ela se cansa, dá um olhar a gota d’água de se iludir, de tentar achar que pode estar errada sobre as suas previsões daquele final. Aproxima-se dele, o sacode chorando. Pela última vez tenta. Ainda não consegue falar. E ele, continua sem reações. Pela última vez ela tem uma atitude desesperada para ter uma reação dele, levanta o braço com força e bate em seu rosto. Na segunda tentativa, ele reage, segurando o braço depressa:

- Amanheceu! - Ela entende e volta para o seu lugar. Nada mais resta, coloca suas pernas cruzadas no sofá novamente, seus braços vedando os olhos. E ele repete pausadamente, vendo a luz do sol entrar:

- Amanheceu.

" Fiz aquele anúncio e ninguém viu, pus em quase todo lugar a foto mais bonita que eu fiz: Você olhando pra mim.
Alto aqui do sétimo andar, longe eu via você. A luz desperdiçada de manhã, no copo de café

Deus sabe o que eu quis foi te proteger, do perigo maior que é você. E eu sei que parece o que não se diz. Pro seu caso é o tempo passar

E foi difícil ter que te levar àquele lugar. Como é que hoje se diz:Você não quis ficar.
Os poucos que viram você aqui, me disseram que mal você não faz
E se eu numa esquina qualquer te vir
Será que você vai fugir?
"

Los Hermanos - sétimo andar